01:16.
Madrugada insone.
O dia, hoje, decidiu brincar comigo e me deixar sorrir. A manhã foi clara, a tarde passiva e a noite, ah, a noite! Uma canção erudita para os males do corpo e os medos da alma. A noite foi um misto de ternura, saudade, poesia e sonhos. Sonhos palpáveis, como céu e luz.
A noite tem disso, os afagos são mais cúmplices e a voz, mais baixa. Os amantes são mais dóceis. Minha noite é longa, dura mais que horas noturnas, dura dias.
Noivo, amante, carinho. Tudo junto. Todo um.
Os planos contam semanas, os sonhos contam meses, ainda levará mais que um ano pra que seja completamente visível tudo que é narrado entre dois sonhadores. Mas, será visível, palpável, comestível.
Poesias cantadas com os olhos.
Assim, se vai mais um dia. No equilíbrio insensato de quem pinta essas horas, com tamanha timidez, que elas mesmas não se permitem ficar muito, vão passando, ansiosas, num eterno atropelar de emoções, vidas e desencontros. Partem os anos sem aviso, ficam as marcas nos espelhos.
E que amanhã seja novamente de Sol.
Preciso tirar o mofo dos olhos.
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sexta-feira, 23 de maio de 2008
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