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terça-feira, 27 de maio de 2008

V

Hoje o dia teve o peso de chuva fina na vidraça. Não tem a força pra despedaçar o destino, mas tem fúria suficiente pra estampar de leve sua passagem. Pelo tempo que durar a chuva e o olhar.

E dura pouco.

Não foi um dia ruim, por mais que a analogia possa deixar essa impressão, hoje foi um dia deveras interessante.
Os meus planos, continuam em bons lençóis. Envoltos, quentinhos, numa adaptação, numa germinação, num nascimento desejado.
Não serão como "uma idéia toda azul", eles não dormem em grandes quartos, sob lençóis de seda e um cortinado de ouro. Esse sonho não. Esse se alimenta do que eu como e dorme com meus medos, minhas angústias e minha falta de dinheiro.

Mas, vive, dorme e se alimenta, como todo bom paupérrimo e amabilíssimo sonho que se preze.

Nesses dias é que imagino que Marina Colasanti também germinou um sonho, também fez versos e deixou tudo adormecer. Depois culpou o rei, que nada tinha a ver com nada, nem com todo esse falecimento-prematuro-calculado.

Mas, voltando ao que vive e respira - hoje, como disse antes, foi deveras interessante.

O gás carbônico jantou comigo, o hidrogênio me contou segredos, e eu, apaixonei-me, perdidamente, por um átomo de carbono, danadinho, que decidiu me contar sua vida.

Que vida!

"As noites eram tão quentes que os vulcões suavam, clamando chuvas, e os oceanos se assentavam aos seus pés.
E tudo ia, devagar, bailando pra dentro de suas águas."

Aos poucos, sussurrando, ele me contou mais coisas, mais verdades absolutas...

Disse-me que tudo será revelado, enquanto descubro toda essa biologia que cerca as noites em claro, persistindo por um ideal meu.
E por outro, nosso.

Que venham eles, que cresçam.
Darei a luz sem lágrimas.

E que não entre em coma os meus sentidos. Porque eu os acordaria. Seria preciso.


.


Tomara que amanheça um dia de Sol.
Estou me sentindo desbotada.