sábado, 24 de maio de 2008

III

Quando eu me atrevo, sorrateira, a ficar pela casa cismando com vozes inaudíveis e medos terríveis, a noite custa a passar.
Quando em vão a alegria senta ao meu lado e me conta que sorrindo fico mais bonita, esse solo de angústia me seduz, me toma de volta, me embriaga... E fico sozinha entre mundos e eras.
Quem me plantou essa erva no peito? Daninha, corrói e me custa a matar. Quem me deixou esse segredo obscuro? Quando ele fala vejo milênios em sua voz.
Derrama esse gosto amargo na boca e nos olhos.

Ciúme.
Medo que escurece o dia.

Daqui, até o arrebol, mil luas morrem e eu não mudo essa ânsia.

Nenhum comentário: