segunda-feira, 26 de maio de 2008

IV

Com os dois pés minunciosamente colocados sobre os objetivos, declaro iniciada a caminhada. Não a eterna caminhada em busca do nascer do Sol. Não. Eu quero agora o porto seguro, o ponto de atracar, o destino concreto.

Mas quero agora, também, os sustos, as noites mal-dormidas, os plantões. Quero o braço de quem amo pra dormir, quando eu finalmente estiver em casa, quero o sorriso da minha filha e a boneca Lulu, para que possamos brincar, as três de ver a vida bela.

Quero o cheiro do café, do bolo assando, dos biscoitos, dos licores. Quero o jaleco, quero os pacientes, quero o hospital.
Quero a minha vida do jeito que escrevi lá trás, naquele dia, em que o vento veio forte e levou a folha junto.

O sonho foi, mas não morreu na partida.
Ele deixou as raízes na contra-mão.

Já colei meus cacos, estou de novo no páreo.

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